Follow by Email

Translate

18 de novembro de 2008

AS REVISTAS...,








o que é que posso dizer acerca delas?... que gasto imenso dinheiro na compra de revistas, que "herdei" este vício da minha mãe..., que tenho imensa dificuldade em desfazer-me delas. Que tenho "pilhas" de revistas distribuídas por três garagens, as mais-especiais estão em pequenos "montes" por baixo de um canapé no quarto, dentro da lareira e num alguidar de latão na sala, no chão em vários cantos da casa, num cesto na casa-de-banho, em prateleiras de parede na cozinha. Que cresci rodeada de revistas de moda, de costura, de tricôt, de decoração, de labores, de crochêt, de bordados, de temas vários, de moldes infantis (que correspondiam à nossa idade...), e do nº36, o número que a minha mãe vestia. Tínhamos uns almanaques de moda (USA) dos anos 60 que nós adorávamos, com senhoras e senhores (onde tudo era perfeito, como nos livros da "Anita"...) vestidos com lindas camisolas em jacquard de gola alta e botas de pelo, a esquiar..., revistas francesas, alemãs e portuguesas e com nomes como: "Família Cristã", "Pais & Filhos", "Burda", "Rakan", etc. Nos anos 80, a minha mãe compra também a "Anna", "Freundin", "Brigitte" e "Casa & Jardim", e eu compro (início dos anos 80) a "Pop Rocky" e a minha irmã a "Bravo". Em meados dos anos 80, começo a comprar as minhas revistas de moda..., e são: "Elle", "Marie-Claire", "Depeche Mode", "Biba"..., e em finais de 80 e nos anos 90, a "Vogue", a "Telva", a "Elle" e "Marie-Claire" de decoração, a "Marie-Claire 100 idees", a "House & Garden", a Coté Sud", e a "Coté Ouest"..., e agora além destas, as "AD", e a "Interiores". As revistas portuguesas são as não-especiais, que vão para as garagens empilhadas por ordem de edição. Agora recorto as revistas, mal as compro, para as minhas colagens. Há revistas que por várias razões estão muito para lá de especiais. São para guardar religiosamente, como esta revista "100 Idees" de 1974, que nos fez sonhar, de onde tivemos camisolas iguais feitas pela mãe, e uns vestidos de "tartan", que a minha mãe nunca nos fez, apesar da nossa insistência e que ainda hoje gosto e gostaria de ter..., e foi aqui que vi as primeiras "collages" (sem saber falar francês, mas conseguia ler o titulo, obviamente, e outras coisas soltas), sem saber quem eram o Picasso, o Braque e o Matisse, e também pouco importava. Importavam as imagens e o poder que exerciam em nós e a capacidade de nos fazer sonhar... Viver no campo em frente à ria, era um privilégio, mas privava-nos de outras coisas como o cinema, ir para o "ballet"..., mas as revistas traziam-nos a cidade e o mundo. Em 1974 tinha 5 anos, mas as revistas eram vistas-e-revistas-várias-vezes-por-ano-e-durante-vários-anos. Rever revistas era e é uma coisa que gostamos de fazer.
Com uns 11 ou 12 anos desenhei esta colagem de Matisse, continuando a não saber quem era, e a não ter a menor importância. Também me lembro de com uns 9 anos, fazer com a minha irmã umas colagens em tecido, inspiradas nas "caretas" da revista. Tenho uma bicicleta com cesto de verga à frente, e que desejava desde os 5 anos (bicicletas tive várias e a primeira recebi-a de presente do meu pai, quando fiz 2 anos, e só mais tarde é que tive um triciclo...) mas os cestos de verga, aberto à frente e duplo com tampa tipo cesto-de-pesca a trás, só tive aos 35 anos. E queria uma bicicleta assim desde os meus 5 anos, não porque a tivesse imaginado..., mas porque aparecia numa página dupla nesta mesma revista. Deixo aqui algumas imagens...

2 comentários:

popelina disse...

Que delicia. Eu também lia com a minha mãe as 100 ideias e as elle e a Marie claire, essas revistas tinham imensa qualidade. e adorei as tuas collages, que eu já tinha visto aliás e adorado. como é que se passa isso na máxima, as leitoras também votam? beijos! cristina/popelina

guizo disse...

Obrigada!:)Não as leitoras não têm direito a voto. Eu acho é que deviam publicar mais alguns trabalhos.., e não apenas o do vencedor. O trabalho que venceu é uma verdadeira sala de cinema em casa.
beijos, Gui